CDU Estremoz

Intervenção da CDU na Sessão comemorativa dos 40 anos do 25 de Abril

Exmos. Senhores autarcas,

Minhas senhoras e meus senhores,

Uma Nação faz-se, entre outras coisas, das suas memórias coletivas. E se algum acontecimento marcou a nossa História recente foi o 25 de Abril de 1974.

Apelar às recordações para reforçar os laços que fazem de nós uma Nação, já seria suficiente para celebrar o 25 de Abril.

Comemorar a restauração da Liberdade, seria também razão para o celebrar!

Mas não se pode resumir o 25 de Abril à conquista da liberdade de expressão e de associação. Foi muito mais do que isso.

- Foi a conquista da democracia;

- De um sistema nacional de saúde;

- De uma educação plural numa escola pública inclusiva;

- Foi o fim da guerra e a conquista da paz.

- E poderíamos enumerar muitos outros motivos para celebrar o 25 de abril.

 Celebremos pois, festejemos! Viva o 25 de abril!

 Passaram entretanto, quarenta anos. Quarenta anos de uma revolução exemplar. Com cravos nas espingardas. Houve erros, naturalmente, mas ainda assim, exemplar para o mundo, colocando-nos finalmente, entre os países modernos e democráticos.

 Mas como dizia Rosa Luxemburgo,

 “Uma revolução é como uma bicicleta:

Se não andar, cai.”

 Ora descrever e festejar pura e simplesmente o que se passou é apenas recordar Abril.

Seria suficiente, se a bicicleta continuasse a andar, isto é, se as conquistas do 25 de Abril, germinadas há muito na luta anti-fascista e tornadas possíveis pela ação do Movimento das Forças armadas, estivessem hoje intactas.

Estariam igualmente vivas a esperança e a alegria de um povo trabalhador que ganhara finalmente alguns direitos económicos e sociais, há muito existentes na maioria dos países europeus:

- O direito a um salário mínimo, a férias pagas, a reformas, a subsídios de desemprego, entre outros.

 Esses direitos económicos e sociais são hoje a questão central.

 O regime fascista impedia o acesso a esses direitos.

 A revolução de Abril deu-nos esses direitos, que são a base de apoio da sociedade actual em toda a Europa.

 São esses direitos económicos e sociais que a direita nos quer roubar, fazendo-nos crer que temos vivido acima das nossas possibilidades.

Isto é inteiramente falso!

 Essa estratégia da direita é seguida não só aqui, mas em toda a Europa, na América e em quase todo o mundo, provocando um enorme retrocesso civilizacional.

Esta crise não é só portuguesa.

Na verdade, é uma crise global, do capitalismo desregulado, que começou nos EUA e que rapidamente se estendeu, a todo o mundo, tal como aconteceu na crise de 1929.

 A crise atual foi provocada e é mantida por gigantescas empresas transnacionais que querem dominar o mundo – chantagiando ou corrompendo políticos, manipulando meios de comunicação e nivelando por baixo os salários e as condições de vida dos trabalhadores.

 De facto, alguém viveu acima das suas possibilidades, mas não foram aqueles que estão agora a pagar: não foram os desempregados, nem os funcionários públicos, nem os pensionistas.

 Temos exemplos:

- A prescrição dos crimes levados a cabo no sistema financeiro, que na sua forma actual de funcionamento já é criminoso, mais não é que a prova de que as leis não são, na prática, iguais para todos.

- As parcerias público-privadas mais não são que um meio para transferir a riqueza que é de todos para as mãos de alguns.

Para uma crise global a resposta terá que ser necessariamente global. Mas os portugueses não poderão ficar de braços caídos.

Que fazer então?

Em primeiro lugar, estar atentos ao que se passa à nossa volta: à fome, à pobreza que cresce, atingindo um em cada cinco portugueses, enquanto uns poucos, os mais ricos de todos enriquecem cada vez mais.

Esta reflexão sobre o passado e o presente só nos serve no entanto, para tirar lições para o futuro.

Para o construir temos recursos naturais por explorar.

E temos sobretudo recursos humanos. Somos um povo que já deu novos mundos ao mundo. Somos trabalhadores capazes, elogiados em todos os países. E temos cientistas, gestores, escritores, artistas, gente criativa que precisa ser apoiada ao invés de empurrada para fora. Todos eles nos podem ajudar a encontrar soluções. E com organização é possível mover montanhas.

Não podemos é desistir, nem deixar-nos enganar. Não deixar de votar, de participar, porque isso seria entregar-nos nas mesmas mãos que nos têm arruinado. Quem não luta, sai de certeza derrotado.

Acreditamos, que o futuro é possível. Feito por nós. Mas não existe uma receita exata. Em democracia, as soluções devem ser construídas a partir do debate franco e aberto. Essa é que é a verdadeira finalidade da política – a discussão e a aplicação das soluções para os problemas coletivos. Não podemos é confundir política, com alguns políticos.

Não nos deixemos vergar! Retomemos o profundo significado do 25 de Abril. Foi um acto libertador do nosso povo, que abraçou entusiasticamente a ousadia dos capitães de Abril. E se foi possível uma vitória contra uma ditadura que torturava e matava quem se lhe opunha, também agora o será.

Ergamo-nos pois com coragem e com esperança.

Como diz o poema:

É possível o amor! É possível o pão!

É possível viver de pé!

25 de abril sempre! Fascismo nunca mais!

 

25 de abril de 2014

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